Bicas Senhora da Hora

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Descrição

Descrição

Tem a sua história a capela ou ermida, mandada construir no ano de 1514, isto é à 385 anos, nos Montes do Viso, no sítio chamado mãe d’água pelo marítimo Aleixo Francisco, de Matosinhos, o qual a administrou até ao ano de 1544, época em que o pároco de Matosinhos quis tomar a referida administração, o que não conseguiu pela resistência oposta. Assim continuou a ermida a ser administrada por de votos da imagem da Senhora da Hora, até que em 1705 assumiu essa administração Romualdo de Almeida Cabral, Major dos Terços Auxiliares da cidade do Porto e morador na sua Quinta da Foz do Douro, sucedendo-lhe em 1706 Miguel d’Almeida.

RUÍNAS DA ANTIGA FÁBRICA DA EFANOR

A Câmara de Matosinhos recuperou a titularidade dos terrenos e encontrou um uso público para este espaço que tem nas imediações a Porto Business School, a poente, a estação de metro das Sete Bicas, a sul, a antiga igreja paroquial da Senhora da Hora, a nascente, e que integra, para já sem qualquer intervenção, a chaminé e um módulo da antiga fábrica Efanor, que vai ser recuperado numa fase subsequente.

A ruína, marcada pela imponente chaminé, chegou a ser alvo de uma candidatura conjunta a fundos comunitários do município e da Fundação Belmiro de Azevedo, que não teve consequência. Agora este património industrial vai ser reabilitado a expensas do município, que deverá investir mais 500 mil euros nesses trabalhos. “Até agora estávamos convencidos que a responsabilidade de reabilitar era da Sonae, mas percebeu-se, detectado um erro dos serviços, que afinal essa era uma responsabilidade nossa”, explicou o autarca, adiantando contudo que vai ser aproveitado, para o efeito, o projecto já elaborado pela arquitecta Susana Mota Freitas, responsável pelo desenho da nova praça.

Assim, mesmo em mau estado, a memória da Antiga Empresa Fabril do Norte, que dá nome à avenida contígua, é o ponto nevrálgico da nova praça, no qual se concentram não apenas os olhares – há uma trepadeira que teima em dar-lhe um ar de ruína-jardim – mas os semi- círculos que, no terreno, configuram as várias áreas. À entrada, um destes semi-círculos serve de estacionamento para uma centena de veículos, num apoio importante ao movimento de pessoas que utiliza a estação de metro contígua e que poderá ser usado para uma finalidade ocasional: a instalação de equipamentos ambulantes de maior dimensão das festas da Senhora da Hora.

Notícia completa aqui: https://www.publico.pt/local/noticia/perdido-o-projecto-de-serralves-a-senhora-da-hora-ganhou-uma-praca-1723760

HISTÓRIA

Ignora-se quem fossem os seus sucessores, mas presume-se com fundamento que a administração esteve a cargo dos possuidores de bens, que no lugar pertenceram ao citado Romualdo, não havendo porém vestígios para com exactidão se conhecerem os verdadeiros administradores. Em 1 736 foram prestadas contas à Provedoria do Porto, que assim o exigiu, e desde então, até ao ano de 1815, isto é, durante 79 anos, ignora-se completamente como decorreu a administração da capela. Nesse ano eram administradores André Domingues dos Santos, António José dos Santos e Manuel José dos Santos e pretendeu o reitor, que era de Matosinhos, Francisco Luís Pereira, tomar a seu cargo a capela, e como encontrasse oposição por parte dos moradores, mandou arrombar as portas da ermida e tomou conta dos fundos, livros e mais títulos que lá existiam. Os administradores intentaram acção judicial e venceram.Em 1821, por deficiência de documentos da despesa da Irmandade, foi dissolvida a mesa, não tendo feito entrega de livros, dinheiro, etc.. Na capela, no ano de 1836, havia duas imagens de Nossa Senhora da Hora e as imagens de São José e Santo António, com diferentes alfaias e adornos.
Antigamente possuía a capelinha ricos paramentos, os quais foram levados pelo exército francês, recebendo apenas a mesa administrativa um pano de um púlpito e um frontal de altar bordados a ouro, depois de insistentes reclamações.

Desde 1890 têm sido feitas importantes melhoramentos na ermida da Senhora da Hora, pelos indivíduos que a têm administrado. Um desses melhoramentos foi a mudança das Sete Bicas, deliciosa água dos mananciais que ali existem. Era antiquíssima essa obra, não há mesmo vestígios da sua construção. A mudança efectuou-se em 1893, sendo restaurada a fonte…”

Em 14 de Fevereiro de 1892, foi adquirida licença de Sua Eminência o Bispo do Porto para uso do Sacrário na capela, no intuito de poder sair dali o Sagrada Viático (Sacramento da Eucaristia fora da Igreja) aos enfermos, para lhes ministrar a comunhão, assim como às pessoas que quisessem confessar-se ali durante a Quaresma, sendo exigido ao Juiz da Irmandade assinar um termo de responsabilidade na Câmara Eclesiástica, em que se obrigava a mesma instituição a ter na capela uma lâmpada acesa permanentemente e mandar dizer missa pelo menos todos os quinze dias, para renovação do Santíssimo Sacramento (cf. Livro das Actas da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu, 1885-1893, p-24).

Em 12 de Janeiro de 1886 foi programado efectuarem-se obras de reparação no corpo da capela, mas por administração directa da Irmandade, por não ser possível calcular o seu cômputo. Optaram para o efeito, o artífice António Joaquim da Rocha, obreiro da sua confiança (cf. Livro das Actas da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu, 1885-1893, p.9vº).

Em 18 de Agosto do mesmo ano, as obras de reparação na armação e reconstrução do telhado do corpo principal da Igreja foram autorizadas e já anteriormente o haviam sido para a capela mor, calculada a obra em 79$955 réis mais 15$000, produto da venda da telha velha, de fraca qualidade e já antiga.

Em Novembro, após uma análise mais pormenorizada ao telhado, concluíram que a armação que o iria suportar com telha tipo Marselha, mais leve que a que tinha anteriormente, se encontrava em boas condições de segurança, havendo somente dois barrotes, que assentavam na parede podres e descobertos nos extremos, estando portanto apto o restante embarramento para suportar o telhado.
Em 26 de Setembro de 1897, após a abertura de propostas para reforma do telhado, foi adjudicada em praça a obra, a Joaquim Pereira dos Santos, do Porto, pela quantia de 55$000 réis, com o qual a Irmandade assinou um protocolo1.

Em 27 de Dezembro de 1897, foi aprovado o 1° orçamento suplementar para obras de reparação e mudança dos altares de Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora da Saúde e sua introdução na parede, para daí resultar um maior espaço na entrada da capela-mor, porque a forma como estava anteriormente colocada, tornava-a acanhada e dificultava bastante o trânsito dos fiéis que vinham visitar a Virgem Nossa Senhora da Hora no dia da sua festividade2. O contrato das referidas obras entre as partes envolventes foi assinado, após serem adjudicadas em praça pela quantia de 30$000 réis.
Em 3 de Julho de 1898, o padre António Dias da Silva Aroso ofereceu-se, para, quase à sua custa, mandar dourar os altares de Nossa Senhora da Saúde e de Nossa Senhora da Piedade, os dois altares existentes na altura, com excepção do da capela-mor. A Mesa da Irmandade aceitou a oferta e achou que era de grande vantagem, por não ter fundos para o fazer e dourados ficavam com outro merecimento e valor, do que pintados de branco, como estavam.

No final do Século XIX, designadamente em 1899, a capela era diariamente visitada por dezenas de devotos e no dia da Romaria de Nossa Senhora da Hora por milhares de pessoas, umas que vinham cumprir promessas de dívida, outras por veraneio, por o local ser muito belo e higiénico, portanto óptimo para a saúde, de salientar que naquela época era muitíssimo arborizado e explorado no âmbito agrícola nas inúmeras quintas e terrenos que nele se enquadravam.

Em 30 de Junho de 1899, há referência que na capela há muito existia o Sagrado Viático, ministrado aos moradores da Senhora da Hora, por a Igreja Matriz no Lugar de Matosinhos se encontrar a 3,5 km de distância deste local, no final do Século XIX, já bastante densa a sua população, que aqui era ouvida missa aos Domingos e Dias Santificados e cumpriam os demais preceitos da Igreja. Em 7 de Janeiro de 1906, foi lavrado um termo de contrato para obras de carpinteiro, tralha e pintura, incluindo teto, telhado e pintura da capela, adjudicada a obra por 470$000.
No início da Segunda Década do Século XX, o edifício foi acrescido de uma torre sineira, tornando-o mais elegante e harmonioso.
Em 21 de Abril de 1911, foi firmado um termo de contrato para obras de construção da dita torre sineira e reparos interiores, adjudicadas as obras por 66$800 réis ao pedreiro e 25$200 ao trolha, após terem ido a praça pública, sendo estas as propostas mais vantajosas, apresentadas por José Ferreira Júnior, mestre pedreiro, morador na Circunvalação e Manuel Sobral, trolha, residente em Requesende, que com a Mesa Administrativa da Irmandade assinaram um protocolo. Em 17 de Setembro de 1921, o capelão José Leite Dias de Pinho, aproveitou a doença e ausência do Juiz da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu e enviou um ofício à Mesa, exigindo resposta urgente, a pedir autorização para alterar o camarim de Nossa Senhora da Hora. Em 25 do mesmo mês a resposta foi peremptoriamente negativa. Foram unânimes que seria um crime alterar a talha dourada do altar mor, por ser de grande beleza, de elevado valor real e estimativo. Classificaram a atitude do pároco, ao fazer tal solicitação, de caprichosa e equívoca, justificando somente que a mudança era apenas uma sua simples ambição.

Nela se celebrava missa aos domingos e dias santificados, pelo capelão, contratado pela Mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu, se faziam baptizados, casamentos.

O seu frontispício é singelo, elegante, rematado por um frontão triangular, encimada por urna cruz, ladeado de um pináculo. A torre sineira termina com diversos pináculos arredondados.

De uma só nave, uma arcada elevada, separa-a da capela-mor, que se situa em plano superior, o altar-mor de Nossa Senhora da Hora é sumptuoso, imponente, em estilo Barroco, de rica talha dourada, com arcaduras sobrepostas, suportadas por capiteis de colunas salomónicas, profusamente ornamentado com anjos e motivos vegetais que lhe são característicos, designadamente cachos de uva e parras.

A imagem de Nossa Senhora da Hora é de tipo-roca, de reduzido valor escultórico, mas de elevado mérito religioso.

As suas feições são correctas e restante conjunto, harmonioso. O vestido e manto da Mãe, assim como o vestido do Menino Jesus, que tem nos braços, são bordados a ouro e as suas coroas são também deste metal, trocadas pelo ouro das ofertas e fruto das promessas que lhe eram feitas.

A seus pés, na pianha em que assenta, encontram-se dois anjos. No seu lado direito, em lugar de honra, encontra-se S. Bartolomeu, à esquerda São José.

Actualmente, além do altar-mor, existem na capela três altares. A esquerda para quem entra, encontra-se o altar de Nossa Senhora de Fátima, à direita e em primeiro lugar o que pertenceu outrora à capela de S. Bartolomeu, agora do Sagrado Coração de Jesus, a seguir o de Nossa Senhora da Piedade para uns, da Soledade para outros, escultura em redoma, de elevado valor e rara beleza, que no presente é conhecido por altar de Nossa Senhora da Conceição, detentor também da sua imagem.

Funcionou como Igreja Matriz desde 25 de Abril de 1918, data em que foi erecta a Paróquia da Senhora da Hora. Quando o Padre Fernando Rosas foi colocado na Paróquia da Senhora da Hora, veio encontrar a antiga Igreja Matriz em estado muito degradado, pelo que encetou esforços junto das entidades competentes para a sua recuperação, assim como do Parque das Sete Bicas e Igreja nova, obras que tiveram início em 1998 estando no presente já concluídas. O seu financiamento foi feito pela Câmara Municipal de Matosinhos, Paróquia da Senhora da Hora e PIDAC, que contribuiu com 60% do valor total.

 

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